NOVO JORNALISMO

 
Hoje aconteceu um episódio interessante que me fez refletir um pouco e voltar a postar neste blog depois de tanto tempo.
 
Em 10 de junho, publiquei uma matéria no site da revista AutoEsporte informando que o Tucson, um utilitário esportivo da Hyundai, passaria a ser fabricado no Brasil. A nota dizia ainda que o modelo nacional chegaria ao mercado no segundo semestre deste ano.
 
Hoje à tarde, recebi a ligação de um leitor que já tinha fechado negócio para comprar um Tucson e resolveu cancelar após ter lido a matéria, para esperar a versão nacional. Este leitor levou a matéria ao vendedor para justificar o cancelamento do negócio. Depois o vendedor disse ter ligado para a diretoria da Caoa, empresa que representa a Hyundai no Brasil, que garantiu que a notícia publicada no site da AutoEsporte era mentirosa, de má fé.
 
O leitor, confiando na credibilidade da AutoEsporte, resolveu ligar e tirar a história a limpo. Afinal de contas, quem estaria certo?
 
Batemos um papo interessante. Expliquei como funciona a nossa dinâmica. Que eu conseguira aquela informação de uma fonte confiável da própria Hyundai durante um evento da marca. Banquei a notícia publicada com a informação de uma fonte que não pode ter o nome revelado e expliquei ao leitor que achava óbvio que a empresa negasse a chegada do Tucson nacional no segundo semestre, para não derrubar as vendas do carro importado até lá.
 
No final das contas, não sei se ele acabou ou vai acabar comprando o carro ou não. Mas, e se eu tivesse blefado ou chutado? E se eu tivesse "parido" uma informação mal apurada? Acho que isso teria um reflexo importante e direto no leitor, que acredita e confia na credibilidade da revista. Pode parecer óbvio, mas é a primeira vez que tenho um retorno claro dessa importância - sobretudo em um momento no qual o leitor não é mais passivo. Não é mais aquele que lê e toma a informação por verdade. Neste caso, o próprio leitor tratou de apurar a informação com as suas ferramentas: Internet, curiosidade e telefone. O jornalista não é mais aquela figura blindada, escondida atrás das paredes da redação. Ele acaba colocando "a cara para bater". E se preciso for, o leitor bate.
 
A Petrobras lançou recentemente um blog para comunicar-se diretamente com o público e esclarecer questões que ela considera maltratadas pela impresa. Muitos jornalista criticaram, acharam uma afronta. A verdade é que vivemos um momento em que a notícia é organizada. Os jornalistas não são mais donos da informação, que agora sabe se articular e se fazer chegar ao público sem precisar se curvar aos grandes meios.
 
Em um momento em que a informação (neste caso, a Petrobras) se comunica diretamente com o público e o leitor corre atrás de apurar as informações que lê, inclusive ligando na redação para tirar satisfação com o repórter, é preciso aprender a fazer um novo tipo de jornalismo, que não tenha o jornalista como dono nem como produtor da informação. Mas como mediador de um espaço público chamado imprensa.


Escrito por Victor Ferreira às 17h07
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SONHO AMERICANO


VAI TARDE - Em momento histórico para o mundo, George W. Bush dá o último adeus antes de entrar no helicóptero que o levou da Casa Branca. O beijinho de dentro da aeronave insinua bem como foi divertido para Bush passar oito anos brincando de presidir os EUA

Não há como assistir à posse do novo presidente americano, Barack Hussein Obama, sem se emocionar. Seu discurso força um suspiro de esperança.

Hoje é um dia especial não só porque o pior presidente da história do Estados Unidos e o mais maléfico estadista do planeta, George W. Bush, deixa o cargo mais importante do mundo; mas, porque, em seu lugar, assume um homem carregado de ineditismo.

Obama é o primeiro presidente negro de uma nação na qual, há pouco mais de 50 anos, um negro não podia utilizar o mesmo banheiro público que um branco. É o primeiro presidente cujo pai e cuja mãe possuem doutorado. Filho de pai estrangeiro. Descendente de muçulmano.

Com mais de dois milhões de pessoas presentes em sua posse - outra marca inédita, aliás -, Obama fez um discurso que abre as portas dos Estados Unidos para o mundo, no que ele chama de "nova era de responsabilidade". Se George W. Bush conseguiu aguçar o anti-americanismo no mundo, Obama chega com a intenção de erradicá-lo. "O mundo mudou e nós precisamos mudar com ele", disse o novo presidente: uma clara crítica ao governo do colega Bush.

Promessas como retirar as tropas americanas do Iraque, devolver a paz ao Afeganistão, dar atenção a países pobres do mundo e, sobretudo, dialogar mostram que Obama quer mudar o papel da maior potência do planeta diante das outras nações. Se Bush tomou as decisões que bem entendeu no Salão Oval da Casa Branca, Obama sinaliza que fará um governo baseado no respeito.

Emoções à parte, a utopia do mundo melhor começa a parecer realidade com a posse de Obama e com o discurso de "reconciliação com o mundo", como classificou o diplomata Marcos Azambuja, vice-presidente do Centro Brasileiro de Relações Internacionais.

O que diria hoje Luther King?



Escrito por Victor Ferreira às 16h18
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JUSTIÇA ÀS AVESSAS


Vlado ainda vive: hoje o jornalista dá nome a um dos prêmios mais importantes do jornalismo brasileiro e inspira movimentos em defesa dos direitos humanos no país.

Arquivado. Esse foi o desfecho do processo de investigação da morte do jornalista Vladimir Herzog durante a ditadura militar. A juíza Paula Mantovani Avelino, da 1ª Vara Criminal de São Paulo, provou que não conhece a história do Brasil ao alegar que a morte de Vlado não pode ser classificada como crime contra a humanidade e, por ter ocorrida há mais de 20 anos, está prescrita.

Procuradores federais sustentavam a imprescritibilidade de crimes contra a humanidade e queriam que o processo fosse reaberto. Foi. Mas agora a juíza rejeitou o pedido dos procuradores.

A alegação da magistrada é que "a única norma em vigor no plano internacional a respeito do tema é aquela contida na convenção sobre a imprescritibilidade dos crimes de guerra e dos crimes contra a humanidade, vigente a partir de 11 de novembro de 1970, uma vez que o relatório da Comissão de Direito Internacional, criada para identificar os princípios de Direito Internacional reconhecidos no estatuto do Tribunal de Nuremberg e definir quais seriam aqueles delitos, nunca chegou a ser posto em votação [no Braisl]".

Essa decisão me lembra uma conversa com um jovem jurista cujo nome não me vem à memória. Ele dizia que quem julga precisa de sensibilidade. O direito não é uma ciência exata. É humana. E, neste caso, qualquer sensibilidade optaria por fazer justiça, mesmo depois de mais de três décadas, pois Vladimir Herzog foi brutalmente torturado e assassinado em uma das selas do então DOI-CODI, em São Paulo.

Não se trata de justiça apenas a Vlado. Mas ao Brasil. Dos países que viveram uma ditadura militar na América, o nosso é o único que ainda não identificou, julgou e condenou os responsáveis pelas mortes ocorridas durante o regime. Essa mancha na história do Brasil pode até sumir com o tempo, mas não sem antes ser esclarecida para toda a sociedade.



Escrito por Victor Ferreira às 13h04
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A TAL DAS FÉRIAS


Férias: sombra e água fresca

Ontem, assistindo ao programa Alternativa Saúde, do canal pago GNT, vi uma definição interessante de férias: comer quando se tem fome, dormir quando se tem sono, acordar quando o corpo quiser. Concordo com tudo isso, embora eu não tenha seguido muito bem esses mandamentos durante os quase 30 dias que fiquei "off-line". Houve noites sem dormir, algumas auroras forçadas e pelo menos uma novidade que vai mudar 2009. Mas, tudo bem, afinal de contas as minhas já acabaram mesmo - pelo menos em relação ao blog.

O psicoterapeuta do trabalho, George Vittorio é que tão bem definiu as tão esperadas férias. Para ele, nesse período devemos sair da rotina na qual vivemos durante o ano e, sobretudo, nem sequer pensar nela. Viagens frenéticas, que buscam conhecer o maior número de lugar no menor tempo, também podem estressar mais que relaxar. Claro que se deve respeitar as particularidades de cada um, mas o importante é que se dedique as férias a atividades que deem prazer sem "sucatear" o corpo ou a mente.

Leva alguns dias até que se consiga sair da rotina e entrar em clima de férias. Como também leva dias até que a rotina volte ao normal, quando a "mamata" acaba. E aí: muito trabalho até o ano seguinte. Mas, afinal, quem é que decidiu que 30 dias de descanso por ano é o ideal? Que 40 é muito e 20, pouco? Não sei! De qualquer maneira, felizes os que podem tirar suas férias como bem entendem e ter um descanso de 10 dias a cada quatro meses, por exemplo. Segundo Vittorio, um descanso menor com frequência maior satisfaz mais o corpo.

Como o leitor pode ver, os posts sobre os mais diversos assuntos estão de volta. Para ir voltando à rotina, nada melhor que falar das férias. Já estou com saudades das minhas.



Escrito por Victor Ferreira às 22h28
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O NATAL DE DONA SILÂNDIA

Para quem acompanhou, através da página no Youtube ou do Canal Universitário, as reportagens e os programas feitos para a TV Mackenzie: ontem foi o último dia de trabalho na TV. Deixei a redação, como fazia todos os dias, tomei, na Rua da Consolação, o primeiro ônibus que me deixasse na Avenida Paulista. Dessa vez não li nada, como habitualmente. Deixei que a mente me levasse a qualquer pensamento, mas caía sempre na própria TV Mackenzie: era o último dia de quase dois anos.

Ao meu lado, uma senhora que aparentava seus 50 e poucos anos. Os cabelos, enrolados, formando um coque, estavam presos atrás da cabeça; pelo volume, eram bem compridos. Ela respirava meio sufocada dentro de uma blusa preta feita de um tecido feminino e uma saia jeans surrada que terminava, com aquela barra meio desfiada, um palmo e meio abaixo dos joelhos. Seu tamanho enchia a poltrona do ônibus. Os sapatos, num preto meio desbotado, deixavam à mostra o comecinho do peito dos pés. Quando já estávamos na Avenida Paulista, ouço a senhora reclamar de qualquer coisa por entre os dentes.

– Ahn? – pergunto eu.
– Dor na coluna. Tô com uma dor na coluna – diz ela fazendo alguma careta.

Como estava pensativo apenas dei de ombros e, depois de alguns segundos, apenas ofereci para trocarmos de poltrona, já que a minha permitiria a ela esticar melhor as pernas. Ganhei um sorriso, mas a senhora recusou:

– Não é o banco, não. É uma injeção que eu tomei.

Meti-me comigo mesmo e continuei pensando nos amigos da TV Mackenzie, nos trabalhos, nas satisfações, etc... não deu muito mais que um minuto e a senhora ao meu lado tornou a puxar assunto:

– Dezembro é bonito, né? – diz ela admirando os arranha-céus enfeitados para o natal.

Para mim, ela estava tão reflexiva quanto eu, mas queria conversar. E continuou...

– Todo mundo enfeita tudo, põe luz piscando, papai noel, é a coisa mais linda. Pena que tem tanta violência, gente matando, gente roubando...
– Mas a gente não pode se deixar contaminar por isso, tem que continuar lutando – arrisquei-me a filosofar com ela – se tem gente matando e roubando, tem mais gente fazendo coisas boas por aí.
– Ah, é! Eu falo isso pra minha filha.

Resolvi, então, mudar o assunto:

– A senhora está voltando do trabalho?
– Estou. Trabalho ali na Consolação.
– De férias já?
– Não, ainda não. Só saio dia 9 – com cara de quem não queria ter lembrado disso.
– Mas a senhora tem folga no natal?
– Tenho um dia, aí eu vou pra Franca passar na casa da minha tia – diz ela, ainda olhando os prédios – Olha esse, que lindo! – emendou apontando para outro prédio decorado.

Ela queria mesmo era falar do natal. Pois bem:

– A senhora já passou aqui à noite?
– Não. Onde eu moro é muito longe – conta ela lamentando. Depois ela me disse que o longe é em Diadema.

Pedi a ela que me deixasse tirar uma foto, pois ia colocá-la em meu blog. Ela hesitou um pouco, mas deixou depois que a expliquei o que é um blog. Tirei o celular do bolso e, na hora da foto, descobri que estava sem bateria.

– E agora? – perguntou ela, de certo querendo saber como ia fazer para colocá-la no blog.
– Vou confiar na minha memória. Aí descrevo a senhora para quem for ler – disse eu tentando consertar – Chegando em casa já escrevo.
– Ah, tá! Então me põe bonitona lá – disse ela às gargalhadas, a primeira naqueles minutos de ônibus.
– Pode deixar – disse eu – Como é o nome da senhora?
– Silândia.
– Dona Silândia, eu desço no próximo ponto. Feliz natal pra senhora.
– Vai com Deus, meu filho, que Deus te abençoe...



Escrito por Victor Ferreira às 12h51
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SÉ ÀS SEIS

Já que no último post, publicado ontem, falei dos altos preços praticados pelo transporte público paulistano, hoje trago um vídeo feito com uma câmera fotográfica na estação Sé do metrô de São Paulo. Já faz algum tempo. Eu estava (tentando!) voltando para casa entre 18 e 19 horas de um dia de semana qualquer. Com poucos trens, a linha azul não deu conta da quantidade de pessoas que chegavam da linha vermelha para fazer baldeação e a plataforma de embarque ficou lotada a ponto de não caber mais gente. Os passageiros que iniciaram a descida pela escada rolante sem saber do sarapatel que acontecia embaixo passaram por uma situação no mínimo constrangedora.



Escrito por Victor Ferreira às 10h29
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O PREÇO QUE (NÃO) SE PAGA

Andar por São Paulo com uma câmera na mão é um desafio interessante. Em cada esquina há um flagrante. A foto abaixo, feita com um celular pela amiga Karina Ribeiro, é um desses momentos únicos que nos provocam alguma reflexão.


Quanto vale o risco? Jovens se penduram na traseira do ônibus para não pagar passagem

Quando vi a cena, na subida da Rua da Consolação, já sabia que isso renderia alguma coisa para o blog. Ainda não sabia o quê. A foto veio tremida sem intenção, mas é exatamente esse ruído que transmite a sensação do risco que jovens como esses correm para burlar o preço de uma passagem de ônibus na capital paulista: R$2,30.

Depois que recebi a foto por e-mail, fiquei alguns minutos olhando e pensando. Poderia escrever sobre a situação em que vivem milhares de garotos moradores de rua em São Paulo. Mas nada me garante que aqueles dois, que desciam no ponto da Avenida Paulista, vivam essa realidade. Outra opção era fazer um texto “meio intelectual, meio de esquerda”, interpretando cada borrão da fotografia e os relacionando com as mazelas da sociedade. Sem chances.

Lembrei-me, então, de conversas com alguns taxistas que resmungavam por não ter sido aprovada a “caixinha de natal” da classe: rodar o dia todo em bandeira dois durante o mês de dezembro. Apenas um concordou comigo quando argumentei que São Paulo é uma das cidades onde mais se gasta para se locomover.

Atualmente, os paulistanos pagam R$2,30 por uma passagem de ônibus e R$2,40 por um bilhete de metrô. Em Belo Horizonte paga-se R$2,10 pela passagem mais cara, mas, em vilas e favelas, andar em um microônibus chega a custar R$0,50. O bilhete unitário do metrô mineiro custa R$1,80. No Rio, só o metrô é mais caro que o de São Paulo: R$2,60. A chamada tarifa única, cobrada nas linhas de ônibus sem ar-condicionado, passaram de R$2,10 para R$2,20 no início deste mês.

Comparadas com o que pagam nossos hermanos argentinos, nossas tarifas são exorbitantes. E não só as de São Paulo. Os chamados “colectivos” portenhos não passam de 1,60 peso – pouco mais de um real – e o bilhete unitário do metrô argentino, os “subtes”, custa 1,90 peso – equivalente a R$1,31 na cotação de hoje.

Todos esses números não fazem sentido se estiverem soltos aqui. Mas para alguém que toma dois ônibus – ida e volta – por dia faz: 115 reais por um mês de 25 dias de trabalho. Se a você parecer pouco, compare com o salário mínimo...



Escrito por Victor Ferreira às 17h19
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OS INFLUENTES DE 2008

Há alguns dias a revista Época publicou uma edição com os brasileiros mais influentes do ano. A exemplo da semanal, outras revistas também publicaram sua lista de pessoas que "fizeram e aconteceram" em 2008. Em uma conversa aqui e outra li, sempre há quem ache que faltou alguém. Para mim, esse alguém é o nadador paraolímpico Daniel Dias, que recebe hoje, no Teatro MAM do Rio de Janeiro, o prêmio Brasil Olímpico 2008 na categoria de Melhores Atletas Paraolímpicos de 2008.


Daniel Dias comemora medalha no Parapan do Rio.

Embora já tivesse batido recordes e conquistado quatro medalhas - duas de ouro - no campeonato mundial de 2006, Daniel Dias surpreendeu o país nos últimos Jogos Parapan-americanos, no Rio de Janeiro, de onde saiu com oito medalhas de ouro. Em Pequim, durante as Paraolimpíadas, Daniel se consagrou: foram nove medalhas - quatro de ouro, quatro de prata e uma de bronze. A título de comparação: Clodoaldo Silva, considerado o maior atleta paraolímpico brasileiro, conquistou sete, nos Jogos Paraolímpicos de Atenas, em 2004. Considerando todas as medalhas paraolímpicas, Clodoaldo ainda é o maior medalhista brasileiro, mas, com apenas 20 anos, Daniel tem muito que conquistar nos próximos Jogos.

Cresci na mesma cidade que Daniel - Camanducaia (MG) - e conheci um pouco de sua história, o que me faz ainda mais seu fã. A determinação e a garra, presentes desde a infância em Camanducaia, é que trouxeram Daniel até aqui.

Se o post é sobre influência, a de Daniel ultrapassa os limites do esporte. O nadador assume um papel ainda mais importante: o de militante pelos direitos dos deficientes físicos. Durante a 4ª Semana de Valorização da Pessoa com Deficiência, o atleta participou de audiência pública no Senado Federal e pediu aos senadores mais atenção ao paraesporte.

Se as revistas não incluíram Daniel Dias entre os mais influentes, o desempenho do atleta, tanto nas piscinas quanto em palestras e debates, mostrará que esse brasileiro fez história em 2008.



Escrito por Victor Ferreira às 12h54
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DECISÃO TOMADA, EXECUÇÃO ADIADA

Então, como ficamos?

Dos onze ministros do Supremo Tribunal Federal, oito votaram pela demarcação contínua da reserva indígena Raposa / Serra do Sol em um julgamento histórico. Mas, que ainda não acabou.

Por conta de mais um pedido de vista para melhor avaliação da matéria, agora feito pelo ministro Marco Aurélio Mello, três ministros ainda não votaram - o próprio, Gilmar Mendes e Celso de Mello. Embora a maioria dos votos já tenha decidido pela demarcação contínua, qualquer decisão de retirada dos não-índios que ainda estão na reserva só pode ser executada após o final do julgamento, que só será retomado no ano que vem.

Apesar da decisão favorável aos indígenas, o STF impôs restrições ao poder dos índios sobre as terras. Autoridades municipais, estaduais e federais, por exemplo, como Polícia Federal e Exército, poderão entrar na reserva sem necessidade de autorização de lideranças da comunidade. O argumento é que assim se impede qualquer tentativa de se criar uma espécie de nação, como se estivesse separada do Estado brasileiro. Há ainda outras ressalvas que tratam da exploração ou instalação de equipamentos públicos dentro de terra indígena.

No dia em que a Declaração Universal dos Direitos Humanos completa 60 anos, o Brasil dá um passo importantíssimo no que se refere aos direitos indígenas e, consequentemente, aos próprios direitos humanos. Isso confirma o que disse Ban Ki-Moon, secretário-geral da ONU, em entrevista à Folha de S.Paulo publicada na última segunda-feira: "por qualquer critério, o Brasil é hoje um dos países mais importantes do mundo e está no centro das discussões sobre os maiores desafios. (...) Com isso, também terá que ter um maior senso de responsabilidade".

A decisão tomada ontem pela Suprema Corte deve direcionar qualquer outra polêmica em relação à demarcação de terra indígena. "Com essa decisão, o Brasil vai se olhar no espelho da história e não mais vai corar de vergonha. O Brasil agora vai resgatar sua dignidade", comemorou o relator da matéria, ministro Carlos Ayres Britto. O que precisamo agora é de um processo demarcatório mais rápido e ágil. Os índios das seis etnias presentes na reserva Raposa / Serra do Sol, por exemplo, aguardam há mais de 30 anos por essa conquista.



Escrito por Victor Ferreira às 02h09
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PIZZA?

Mais uma vez o julgamento que decidirá o futuro da reserva indígena Raposa / Serra do Sol pode ser adiado. O ministro Marco Aurélio Mello disse que vai pedir vista para avaliar melhor a questão, como fez Carlos Alberto Direito em agosto. O pedido ainda não foi formalizado para o ministro, mas se ele o fizer o julgamento pode ficar para 2009.

Apesar disso, o ministro Carlos Alberto Direito, ao contrário do que se esperava, também votou a favor da demarcação contínua, ou seja, favorável aos índios. Embora tenha apresentado um discurso mais duro em relação ao de Carlos Ayres Britto, no que se refere à demarcação contínua, Direito deixou o "placar" da disputa entre índios e arrozeiros em dois a zero para os indígenas.

Como o ministro Aurélio Mello é um dos últimos a votar - e, portanto, só poderá formalizar o pedido de vista na sua vez - podem haver outros votos ainda hoje.



Escrito por Victor Ferreira às 13h22
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JULGAMENTO JÁ COMEÇOU

Foto: José Cruz / Agência Brasil

Na véspera do julgamento, índios favoráveis à demarcação contínua protestam em frente ao STF, em Brasília

São 09h31 e a TV Justiça (SKY: canal 117, DirecTV: canal 209, NET: canal 06 ou www.tvjustica.jus.br) transmite ao vivo o julgamento sobre a demarcação da terra indígena Raposa / Serra do Sol. Lideranças indígenas de Roraima e políticos, como os senadores Eduardo Suplicy e Marina Silva, estão no Supremo Tribunal Federal, em Brasília, para acompanhar a decisão.

Neste momento, o ministro Carlos Alberto Direito apresenta seu voto-vista, já que foi ele quem interrompeu o julgamento no dia 27 de agosto com um pedido de vista. Os demais ministros devem votar na seguinte ordem: Ricardo Lewandowski, Cármen Lúcia, Eros Grau, Joaquim Barbosa, Cezar Peluso, Ellen Gracie, Marco Aurélio Mello, Celso de Mello e Gilmar Mendes.

O julgamento poderá ser interrompido no início da noite e retomado amanhã de manhã.

Anteontem, o prefeito de Pacaraima e líder dos arrozeiros, Paulo Cesar Quartiero, afirmou que haverá conflitos entre índios e fazendeiros independentemente da decisão do Supremo Tribunal Federal. Quartiero disse que seus homens estão orientados a atirar em índios que tentarem invadir suas terras - ou seriam terras indígenas?

Reportagem publicada hoje pela Folha de S.Paulo informa que "área de arroz em Roraima cresce três campos de futebou por dia". Pelo visto, os arrozeiros não querem apenas continuar na reserva, como aumentar essa presença tão rentável, como mostra o último texto publicado neste blog.

Aguardemos, então, a decisão dos ministros.



Escrito por Victor Ferreira às 09h52
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RAPOSA / SERRA DO SOL

Na próxima quarta-feira o Supremo Tribunal Federal retoma o julgamento sobre a demarcação da reserva indígena Raposa / Serra do Sol. Uma matéria assinada por Felipe Seligman, publicada na Folha de hoje, informa que o "STF buscará meio termo na decisão". Em agosto, o ministro Carlos Ayres Britto, único a votar até agora, deu seu parecer favorável aos interesses indígenas. Na ocasião, o julgamento foi interrompido por um pedido de vista feito pelo ministro Carlos Alberto Direito.

Surpreendente o STF retomar um julgamento tão complexo e polêmico às vésperas das festas de fim de ano, sobretudo por se tratar de uma decisão que abre precedentes para outras. Mas, afinal, o que será dos quase 20 mil índios que habitam os cerca de 1,7 milhão de hectares da reserva Raposa / Serra do Sol?


Charge de Latuff publicada na revista Idéias, do Sindicato dos Servidores nas Justiças Federais do Estado do Rio de Janeiro (SISEJUFE-RJ)

Tive a oportunidade de falar, por telefone, com o líder dos seis arrozeiros que pedem a revisão da demarcação da reserva. Paulo Cesar Quartiero, que também é prefeito de Pacaraima (RR), defende a demarcação em ilhas, o que significa a manutenção das terras produtivas dos fazendeiros dentro de Raposa / Serra do Sol. "Eu acredito que nós, brasileiros, temos que ocupar, temos que usar os recursos naturais para promover o desenvolvimento. Nós precisamos aumentar a presença brasileira nessas fronteiras estratégicas que estão aí entregues às baratas, entregue às moscas", justificou.

Para um gaúcho que diz ter chegado em Roraima com uma mão na frente e outra atrás, Quartiero soube fazer riquezas. Nas últimas eleições, declarou bens que somam quase 13 milhões de reais ao Superior Tribunal Eleitoral. Isso explica por que os arrozeiros querem tanto permanecer na reserva.

Quando questionado sobre sua opinião quanto à manutenção da cultura indígena, novamente Quartiero surpreendeu: "Infelizmente a cultura indígena como a cultura do Brasil é muito fraca. Evidentemente que nós temos que desenvolver. (...) Nós temos um mundo competitivo, os outros países evoluem e nós vamos continuar... quando o Brasil foi descoberto os índios viviam na idade da pedra lascada. É isso que nós queremos para o nosso país em pleno século XXI?".

Se depender desse homem, a pergunta que fecha o segundo parágrafo deste texto não terá lá uma resposta muito animadora. No entanto, o lado que apóia os indígenas está otimista. A advogada do Instituto Socioambiental (ISA), Ana Paula Caldeira, afirmou que a decisão de manter a demarcação original, homologada pelo presidente Lula em 2005, significa nada menos que a aplicação da Lei. Para ela, o Brasil tem avançado bastante em relação aos direitos dos povos indígenas; isso contraria interesses de setores como o de Paulo Cesar Quartiero. "A gente vive agora uma revanche de setores que não estão satisfeitos com o reconhecimento dos direitos indígenas e que estão questionando esses direitos na Justiça", explica Ana Paula.

Questionar esses direitos na Justiça também é um direito, diga-se. A incógnita agora é em relação a outro Direito, o ministro Carlos Alberto. Há rumores de que o magistrado que interrompeu o julgamento em agosto rebata agora os argumentos de Ayres Britto. Se isso acontecer, o STF se dividirá. Pois, que a Lei não seja esquecida no papel.



Escrito por Victor Ferreira às 21h28
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ONTEM, HOJE E AMANHÃ

Se não pubicasse hoje, depois de amanhã faria exatamente um mês que o blog não era atualizado. Mas, essa marca eu dispenso.

Bom, neste mês sem publicar, por conta da pilha de atividades em que se transforma o final do semestre, pensei, vi e ouvi inúmeras coisas que entrariam facilmente aqui. Uma delas, e que me acompanhou ao longo desses dias (para mim, muitos dias!), é a relação do jornalismo com a internet. O jornalismo on-line.

Conversas de bar à parte, quem tenta enxergar uma realidade além da que vivemos hoje vê a internet como principal meio de comunicação. Sem querer transformar este texto em "papo cabeça", para entender essa mudança de paradigmas na comunicação recorremos ao que a academia chama de teoria das mídias. Um estudo do teórico Harry Pross aponta para a existência de três tipos de mídia: primária, secundária e terciária.

Em síntese, mídia primária trata-se da utilização do corpo para se comunicar, ou seja, quando há uma interação direta entre duas pessoas que trocam gestos e sons, ou, no máximo, entre um comunicador e um pequeno grupo reunido no mesmo espaço. A mídia secundária é o corpo se utilizando de uma ferramenta para comunicar. Lê-se surgimento da escrita, dos impressos, dos livros, etc. Enquanto aqui o receptor da informação é passivo (no caso de um leitor: apenas recebe a notícia, sem fazer parte de seu processo de construção), na terciária esse mesmo leitor participa da notícia que está lendo.

No ínicio da década de 1970, quando o conceito de internet ainda era embrionário, Harry Pross classifica as mídias eletrônicas (rádio e televisão) como mídia terciária. No entanto, em uma livre (re)interpretação dos conceitos de Pross, podemos dizer que o rádio e a televisão da maneira como são concebidos atualmente são mídias secundárias. Mídia terciária passa então a ser aquela em que o jornalista vira um mediador de conteúdo. Qualquer pessoa conectada à internet pode comunicar para o mundo todo através de um blog, do Youtube, do Orkut. Os portais permitem que o internauta comente as notícias que lê, o receptor da informação é quem seleciona o que e a que horas deseja ler, ouvir ou assistir (e por que não os três ao mesmo tempo?) qualquer conteúdo. Com o advento da TV digital, em mais alguns anos o telespectador poderá escolher o horário no qual deseja assistir ao Jornal Nacional, por exemplo. Mais que isso: selecionar quais notícias do telejornal deseja ver. Ou ainda, participar de um programa de auditório através do controle remoto. Isso é mídia terciária. O consumidor da informação deixa de ser passivo para ser ativo e influenciar no processo de construção da notícia. Alguns portais contam com cobertura colaborativa, (como o "Vc Repórter", do Terra) na qual o internauta também produz notícia. O jornal local de São Paulo da TV Globo, por exemplo, já veicula vídeos enviados pelos telespectadores.

O redator-chefe da revista Época, Dadid Cohen, diz que há esforços para que todos os jornalistas da publicação dominem bem tanto o impresso quanto o on-line. E não pense, leitor, que jornalismo on-line é apenas a publicação de reportagens da revista na internet. Jornalismo on-line pressupõe uma nova linguagem: mais dinâmica, mais rápida e mais colaborativa. Mas, não menos confiável. O jornalista Marcelo Tas, em sua exposição sobre comunicação na era digital, mostra dados reveladores: a enciclopédia livre Wikipédia tem menos erros que a famosa enciclopédia Britannica. Em entrevista à Folha de S.Paulo, o fundador da Wikipédia, Jimmy Wales, disse que há casos isolados de verbetes com informações incorretas ou mal-intencionadas, mas que, em geral, os colaboradores, presentes no mundo todo, resolvem em menos de dez minutos edições como essas.

Tudo isso exige que se pense novos rumos para o jornalismo e que a próxima geração se prepare para receber em um dia uma quantidade de informação que seus bizavós não terão recebido durante a vida toda.



Escrito por Victor Ferreira às 19h37
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UM BRASIL SUSTENTÁVEL

A preocupação com o meio ambiente é cada vez maior. Há alguns anos, especialistas alertam para o grito de socorro dado pelo maior bioma do planeta: A Amazônia. Em meio a isso, a palavra sustentabilidade ganha a cena e vira presença obrigatória em qualquer projeto que pense o futuro.

Eu conversei, para o programa Revista Eletrônica, da TV Mackenzie, com uma das maiores especialistas no assunto: a senadora Marina Silva (PT-AC), ministra do Meio Ambiente até maio de 2008 e responsável pela elaboração, em conjunto com nove Estados e 18 Ministérios, do Plano Amazônia Sustentável (PAS), anunciado pelo Governo Federal no primeiro semestre deste ano.

Filha de uma família de seringueiros do Acre, Marina Silva estudou História na Universidade Federal do mesmo Estado. Trabalhou no seringal até os 16 anos, quando foi para a capital Rio Branco estudar em um colégio de freiras. Aos 17, conheceu Chico Mendes e entrou de vez na militância política e ambiental.

A entrevista exclusiva com Marina Silva, que pode ser assistia abaixo, foi gravada em outubro, nos estúdios da TV Mackenzie. As imagens são de Antônio Pimentel e a edição, de Elvis Petrorenzo.



Escrito por Victor Ferreira às 08h49
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PAIXÃO NACIONAL

Ontem a TV Mackenzie mandou uma equipe ao 25º Salão do Automóvel de São Paulo para cobrir a final do concurso Meu Primeiro Renault, que, aliás, teve um mackenzista como campeão (interessados, cliquem no link). Entre a apresentação dos projetos dos finalistas e a divulgação do resultado, eu e o cinegrafista Antônio Pimentel resolvemos dar uma caminhada pelo Salão, que ainda não foi aberto ao público. Aproveitei o passeio e trouxe alguma coisa para o blog

O 25º Salão Internacional do Automóvel de São Paulo abre ao público amanhã, dia 30, e funciona até o dia 8 de novembro das 14 às 22 horas. No dia 9, o funcionamento será das 11 às 19 horas. Os ingressos custam R$20,00 reais para crianças de cinco a 12 anos e R$30,00, de 12 a 64 anos. Menores de cinco e maiores de 65 anos não pagam.



Escrito por Victor Ferreira às 19h43
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Quem é Victor?
Victor Ferreira é estudante de Jornalismo e mora em São Paulo. Saiba +

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