ONTEM, HOJE E AMANHÃ

Se não pubicasse hoje, depois de amanhã faria exatamente um mês que o blog não era atualizado. Mas, essa marca eu dispenso.
Bom, neste mês sem publicar, por conta da pilha de atividades em que se transforma o final do semestre, pensei, vi e ouvi inúmeras coisas que entrariam facilmente aqui. Uma delas, e que me acompanhou ao longo desses dias (para mim, muitos dias!), é a relação do jornalismo com a internet. O jornalismo on-line.
Conversas de bar à parte, quem tenta enxergar uma realidade além da que vivemos hoje vê a internet como principal meio de comunicação. Sem querer transformar este texto em "papo cabeça", para entender essa mudança de paradigmas na comunicação recorremos ao que a academia chama de teoria das mídias. Um estudo do teórico Harry Pross aponta para a existência de três tipos de mídia: primária, secundária e terciária.
Em síntese, mídia primária trata-se da utilização do corpo para se comunicar, ou seja, quando há uma interação direta entre duas pessoas que trocam gestos e sons, ou, no máximo, entre um comunicador e um pequeno grupo reunido no mesmo espaço. A mídia secundária é o corpo se utilizando de uma ferramenta para comunicar. Lê-se surgimento da escrita, dos impressos, dos livros, etc. Enquanto aqui o receptor da informação é passivo (no caso de um leitor: apenas recebe a notícia, sem fazer parte de seu processo de construção), na terciária esse mesmo leitor participa da notícia que está lendo.
No ínicio da década de 1970, quando o conceito de internet ainda era embrionário, Harry Pross classifica as mídias eletrônicas (rádio e televisão) como mídia terciária. No entanto, em uma livre (re)interpretação dos conceitos de Pross, podemos dizer que o rádio e a televisão da maneira como são concebidos atualmente são mídias secundárias. Mídia terciária passa então a ser aquela em que o jornalista vira um mediador de conteúdo. Qualquer pessoa conectada à internet pode comunicar para o mundo todo através de um blog, do Youtube, do Orkut. Os portais permitem que o internauta comente as notícias que lê, o receptor da informação é quem seleciona o que e a que horas deseja ler, ouvir ou assistir (e por que não os três ao mesmo tempo?) qualquer conteúdo. Com o advento da TV digital, em mais alguns anos o telespectador poderá escolher o horário no qual deseja assistir ao Jornal Nacional, por exemplo. Mais que isso: selecionar quais notícias do telejornal deseja ver. Ou ainda, participar de um programa de auditório através do controle remoto. Isso é mídia terciária. O consumidor da informação deixa de ser passivo para ser ativo e influenciar no processo de construção da notícia. Alguns portais contam com cobertura colaborativa, (como o "Vc Repórter", do Terra) na qual o internauta também produz notícia. O jornal local de São Paulo da TV Globo, por exemplo, já veicula vídeos enviados pelos telespectadores.
O redator-chefe da revista Época, Dadid Cohen, diz que há esforços para que todos os jornalistas da publicação dominem bem tanto o impresso quanto o on-line. E não pense, leitor, que jornalismo on-line é apenas a publicação de reportagens da revista na internet. Jornalismo on-line pressupõe uma nova linguagem: mais dinâmica, mais rápida e mais colaborativa. Mas, não menos confiável. O jornalista Marcelo Tas, em sua exposição sobre comunicação na era digital, mostra dados reveladores: a enciclopédia livre Wikipédia tem menos erros que a famosa enciclopédia Britannica. Em entrevista à Folha de S.Paulo, o fundador da Wikipédia, Jimmy Wales, disse que há casos isolados de verbetes com informações incorretas ou mal-intencionadas, mas que, em geral, os colaboradores, presentes no mundo todo, resolvem em menos de dez minutos edições como essas.
Tudo isso exige que se pense novos rumos para o jornalismo e que a próxima geração se prepare para receber em um dia uma quantidade de informação que seus bizavós não terão recebido durante a vida toda.
Escrito por Victor Ferreira às 19h37
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