NOVO JORNALISMO
Hoje aconteceu um episódio interessante que me fez refletir um pouco e voltar a postar neste blog depois de tanto tempo. Em 10 de junho, publiquei uma matéria no site da revista AutoEsporte informando que o Tucson, um utilitário esportivo da Hyundai, passaria a ser fabricado no Brasil. A nota dizia ainda que o modelo nacional chegaria ao mercado no segundo semestre deste ano. Hoje à tarde, recebi a ligação de um leitor que já tinha fechado negócio para comprar um Tucson e resolveu cancelar após ter lido a matéria, para esperar a versão nacional. Este leitor levou a matéria ao vendedor para justificar o cancelamento do negócio. Depois o vendedor disse ter ligado para a diretoria da Caoa, empresa que representa a Hyundai no Brasil, que garantiu que a notícia publicada no site da AutoEsporte era mentirosa, de má fé. O leitor, confiando na credibilidade da AutoEsporte, resolveu ligar e tirar a história a limpo. Afinal de contas, quem estaria certo? Batemos um papo interessante. Expliquei como funciona a nossa dinâmica. Que eu conseguira aquela informação de uma fonte confiável da própria Hyundai durante um evento da marca. Banquei a notícia publicada com a informação de uma fonte que não pode ter o nome revelado e expliquei ao leitor que achava óbvio que a empresa negasse a chegada do Tucson nacional no segundo semestre, para não derrubar as vendas do carro importado até lá. No final das contas, não sei se ele acabou ou vai acabar comprando o carro ou não. Mas, e se eu tivesse blefado ou chutado? E se eu tivesse "parido" uma informação mal apurada? Acho que isso teria um reflexo importante e direto no leitor, que acredita e confia na credibilidade da revista. Pode parecer óbvio, mas é a primeira vez que tenho um retorno claro dessa importância - sobretudo em um momento no qual o leitor não é mais passivo. Não é mais aquele que lê e toma a informação por verdade. Neste caso, o próprio leitor tratou de apurar a informação com as suas ferramentas: Internet, curiosidade e telefone. O jornalista não é mais aquela figura blindada, escondida atrás das paredes da redação. Ele acaba colocando "a cara para bater". E se preciso for, o leitor bate. A Petrobras lançou recentemente um blog para comunicar-se diretamente com o público e esclarecer questões que ela considera maltratadas pela impresa. Muitos jornalista criticaram, acharam uma afronta. A verdade é que vivemos um momento em que a notícia é organizada. Os jornalistas não são mais donos da informação, que agora sabe se articular e se fazer chegar ao público sem precisar se curvar aos grandes meios. Em um momento em que a informação (neste caso, a Petrobras) se comunica diretamente com o público e o leitor corre atrás de apurar as informações que lê, inclusive ligando na redação para tirar satisfação com o repórter, é preciso aprender a fazer um novo tipo de jornalismo, que não tenha o jornalista como dono nem como produtor da informação. Mas como mediador de um espaço público chamado imprensa.
Escrito por Victor Ferreira às 17h07
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